sábado, 31 de março de 2018

Carta ao meu pai

Pra que vive, tu que deixou de acreditar?
Por que andas, respira, fala?
Porque trabalha? 
Tua voz..
Já não tentas mais dizer-me nada, eu sei.
Já esqueceu-se de buscar abrigo. E de dar, nunca lembrou.
Teu egoísmo não me marca mais.
Tuas mãos tão frias já não me ferem.
Eu te amei, e te trago ainda em mim. 
Ainda tenho teus olhos, teus silêncios, teus suspiros.
E quando escolhesse que era a hora de partir, já não havia nada que eu pudesse ou quisesse fazer.
E quando escolheu queimar teu fino fio de vida,eu já não fazia mais parte desta.
Me diz, que sonhos arquivaste no cerne do teu coração? 
E quantas dores levou só, nos teus olhos congelados e cheios de medo?

Um menino como eu, mas diferente de mim sozinho.

E que deixou de lado essa nossa grande vontade (que não vou esquecer que tu também me ensinou)

de amar e mudar as coisas.