Se a gota d'água cair
e teus pés se perderem no caminho.
Se for demais pro coração
e quiseres então fugir de mim.
Fuja, mas não me enganes mais.
Quando a lua brilha tanto
não consigo ver as estrelas, dizes.
O medo não é ruim quando fica pra traz.
Mas agora castiga meu peito,
essa falta de sentidos mórbida
de quem já não ama mais.
Agora, o medo traz a dúvida.
Ou será que ela vem só?
quarta-feira, 19 de março de 2014
Agosto é um desgosto
A chuva segue caindo no meu peito
E esse agosto cinza que custa a acabar.
Nas mãos o desgosto de menos um dia
menos um pra te ver voltar.
Nas mãos a culpa do homem que mata
E o medo do que vem a morrer.
Na carne o asco de quem sofre abuso,
E a fome de quem quer comer.
Carrego tudo sem carregar nada
sem nunca, nunca descansar
Sou o jumento que é explorado
Só pra depois poder reclamar.
Durmo em silêncio e acordo também,
que não nasci pra incomodar ninguém.
Não tenho nome, nem tenho cor.
Mas se tivesse, seria dor!
E esse agosto cinza que custa a acabar.
Nas mãos o desgosto de menos um dia
menos um pra te ver voltar.
Nas mãos a culpa do homem que mata
E o medo do que vem a morrer.
Na carne o asco de quem sofre abuso,
E a fome de quem quer comer.
Carrego tudo sem carregar nada
sem nunca, nunca descansar
Sou o jumento que é explorado
Só pra depois poder reclamar.
Durmo em silêncio e acordo também,
que não nasci pra incomodar ninguém.
Não tenho nome, nem tenho cor.
Mas se tivesse, seria dor!
Culpa
Que todo mal vá embora com meu sangue e me lave a alma enquanto lavo o rosto com tamanhas lágrimas.
Que nenhum resquício de podridão permaneça em meu corpo.
Deixo escoar por entre minhas pernas, ficando então leve e livre pra ser a mulher que escolho ser.
Já não me interessa a culpa, passo por ela como quem já viu muito, mesmo sem ter visto.
Me dispo de toda e qualquer forma de culpa e já não sinto frio, mesmo que sinta medo.
Escorra então, com minhas lágrimas e com meu sangue pois,
amanhã, já não a quero mais!
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