A chuva segue caindo no meu peito
E esse agosto cinza que custa a acabar.
Nas mãos o desgosto de menos um dia
menos um pra te ver voltar.
Nas mãos a culpa do homem que mata
E o medo do que vem a morrer.
Na carne o asco de quem sofre abuso,
E a fome de quem quer comer.
Carrego tudo sem carregar nada
sem nunca, nunca descansar
Sou o jumento que é explorado
Só pra depois poder reclamar.
Durmo em silêncio e acordo também,
que não nasci pra incomodar ninguém.
Não tenho nome, nem tenho cor.
Mas se tivesse, seria dor!
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