terça-feira, 29 de maio de 2012

Opugno

O baque de um jornal que ao bater no corpo desce ao chão;
O baque de mais um não, que bate e fica no coração;
O baque de uma mão, que ao invés de mover-se a um rosto
fica inerte ao lado de um corpo, presa a um braço covarde;
O baque de palavras a se agitar dentro da cabeça;
O baque de um olho a fuzilar;
O baque de vinte lágrimas que não se deixam rolar;
O baque avião a decolar com ansiedade;
O baque de mais palavras, que por mais que firam dizem a verdade!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sushi

Perco-me no labirinto dos teus lábios,
Apenas para me reencontrar na distancia do teu olhar.
Afasto-me e volto no tempo curto de piscar.
Fecho e abro o peito no curto tempo de chegar...
À porta, à boca, aos braços!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

(des)controle

Vontade de gritar,
de escrever atrocidades,
matar pessoas com palavras.
Não paro de imaginar,
entre um e outro lapso de bom senso
cada faca, cada unha afiada,
cada pedaço de vidro.
Vontade de reprimir a loucura,
e eu faço; mas ela volta!
Ainda bem...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Lua

Canta-me um verso
e me reverte em tua;
Faz-me louca e
me deixas nua;
Grita comigo e
te larga na rua;
Solidão, fria e crua;
Mas sincera.
Rima pobre que diz muito
Sem nada dizer;
Rima pobre que me entrega
Sem perceber;
Ah, rima pobre.
Se eu te canto, há de haver
Um lobo que me ouça
E traduza aos uivos nossos segredos!
Que são meus, teus e serão
Também da lua!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Menos um sonho

Ai essa crise, esse crime, essa dor.
Se te permite, resiste o fulgor.
Sem te permite, reside um temor.
Que te contempla, completa tormenta.
Que te orienta, afaga e afugenta.
Ai essa dor, se disfarça de amor.
Ai esse amor, que te engana. Essa dor!
Que golpes desfere e fere tua fera?
Quem te roubou de uma vez tal quimera?