sexta-feira, 22 de junho de 2018

16/06

Era uma verdade, naquele momento.
Nesse, já passou!
Agora minha boca saliva, 
Teu gosto ainda em minha pele, suave.
Meu cheiro e o teu misturados.
Mistura gostosa de afetos,
Amores.
Te bebi até onde deu, 
Agora minha boca saliva de saudades.
Te beijaria inteiro. 
Te adorando, cada parte, cada canto.
Vai, desbrava teus próprios cantos,
Te ama, 

Que eu também.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Tenho um coração
Forte
Que pulsa, que bate
Que quase explode
Tantas vezes quanto pode
Por tantos amores possíveis
E impossíveis também
Que chora, se rasga
Se derrete, transborda.
Meu coração borbulha
Borbulhou por ti, por ele, por ela.
Agora ele tá quietinho,
Um pouco triste
Mas íntegro
Segue acreditando no amor
Tendo critérios
Sigo sendo eu, e amando, cada vez mais.

Quando uma possibilidade de amor acaba

Se você olha pra mim
Mas não me toca.
Dói.
Quase como se tivesse ficado por muito tempo.
Ê capacidade estranha, a de me apaixonar por instantes.
E sofrer quando eles passam é uma reação que eu sempre tentei evitar. mas que hoje, bem...
Se você toca em mim
Me arrepia, me aquece e depois não me derrete.
Eu vôo, alto e pra longe.
Mas me dói. Que bom.
Alaú de poesia, de emoção.
De dor, de amor, de raiva, de paixão, mesmo que breve.
Te bebi até onde deu.

domingo, 29 de abril de 2018

Nasceu pobre, pardo,
Penúltimo filho de uma mãe já velha,
Cansada de tanto parir.
Foi criado pelas irmãs, tinha 7.
Cresceu com as duas mãos na massa.
Aprendeu a trabalhar cedo.
E mesmo na hora da sua morte disseram: ele precisava muito de uma mãe.

Conheceu o trabalho das mãos, 
Dos bracos, das pernas. 
Até que encontrou as palavras,
As letras, os pontos.
Esses todos batidos na sua pequenina máquina de escrever.
Trabalhou com isso também,
Até que se fez desnecessário.
Lutou pela classe trabalhadora,
Pra não ser o pobre que o destino lhe reservara.
Mas foi.
Lutou até desistir, ou se perder.
e a verdade é que se perdeu muito cedo.
Era fraco, me diziam alguns.
Sensível demais.
Precisava muito de uma mãe.

sábado, 31 de março de 2018

Carta ao meu pai

Pra que vive, tu que deixou de acreditar?
Por que andas, respira, fala?
Porque trabalha? 
Tua voz..
Já não tentas mais dizer-me nada, eu sei.
Já esqueceu-se de buscar abrigo. E de dar, nunca lembrou.
Teu egoísmo não me marca mais.
Tuas mãos tão frias já não me ferem.
Eu te amei, e te trago ainda em mim. 
Ainda tenho teus olhos, teus silêncios, teus suspiros.
E quando escolhesse que era a hora de partir, já não havia nada que eu pudesse ou quisesse fazer.
E quando escolheu queimar teu fino fio de vida,eu já não fazia mais parte desta.
Me diz, que sonhos arquivaste no cerne do teu coração? 
E quantas dores levou só, nos teus olhos congelados e cheios de medo?

Um menino como eu, mas diferente de mim sozinho.

E que deixou de lado essa nossa grande vontade (que não vou esquecer que tu também me ensinou)

de amar e mudar as coisas.