terça-feira, 24 de abril de 2012

Sobreviventes

A flor, amassada e suja na lama da insegurança.
Caule quebrado, folhas rotas; 
Pela escrota agonia de sobreviver a vida.
A seiva a se misturar aos últimos resquícios de chuva e terra.
A lhe apagar o vermelho, sujar o verde e exterminar o brilho;
Mas sem nunca dar o último suspiro, 
a dor de seguir quando não se deseja;
A dor de viver sem morrer de amor...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sanidade

Quisera eu ter o poder de escrever sem sentido e ser apreciada.
Embolar os versos, enlouquecer nos parágrafos,
como um gênio qualquer faria sem medo.
Quisera eu ter a espontaneidade franca das crianças.
Gritar minha agonia ao mundo, sem esperar nada.
Desarmar os laços que não me ferem, por diversão.
Quisera eu perder a vontade de viver e recobrá-la em um segundo.
Arrancar-me os cabelos e usá-los de lembrança,
do chato passado que deixaria pra traz.
Quisera eu perder a memória, os sentidos, o controle;
Daria tudo para perder o controle. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Tédio


Com a cabeça encostada no vidro a tremer;
vejo a vida lá fora diferente.
As imagens passam como em um filme de super 8,
uma atras da outra com rapidez inquestionável.
Nada lá é real, mas tudo se repete.
Mais e mais e mais vezes.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Vertigem


Num segundo estou só,
cansada de romances
e sem paciência de nada.
No outro, já estou rodeada de pessoas,
com sede de amor,
mas me enrolando em tamanhas histórias.
Logo após, escolho uma,
essa seria a única,
com todos os privilégios sob mim.
Mas isso me enoja,
essa mania de querer para si
o que deve ser livre.
E tudo acontece outra vez!
É como um ciclo, o meu próprio ciclo.
Fico só, fico com gente demais 
e depois apenas com um.
Quando o ciclo vai se fechar?
Ninguém sabe,
e até alguém descobrir:
eu vou girando em meu próprio eixo
esperando, tonta,
de tanto rodar!