domingo, 29 de abril de 2018

Nasceu pobre, pardo,
Penúltimo filho de uma mãe já velha,
Cansada de tanto parir.
Foi criado pelas irmãs, tinha 7.
Cresceu com as duas mãos na massa.
Aprendeu a trabalhar cedo.
E mesmo na hora da sua morte disseram: ele precisava muito de uma mãe.

Conheceu o trabalho das mãos, 
Dos bracos, das pernas. 
Até que encontrou as palavras,
As letras, os pontos.
Esses todos batidos na sua pequenina máquina de escrever.
Trabalhou com isso também,
Até que se fez desnecessário.
Lutou pela classe trabalhadora,
Pra não ser o pobre que o destino lhe reservara.
Mas foi.
Lutou até desistir, ou se perder.
e a verdade é que se perdeu muito cedo.
Era fraco, me diziam alguns.
Sensível demais.
Precisava muito de uma mãe.

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