segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Falta que faz a cor



"Ver a cor azul de seus olhos castanhos me lembrou de observar mais a cor verde do mar azul. E foi em meio a essa confusão de cores que a tristeza (ou foi felicidade?) me apareceu, em um dia quente de um inverno frio. Meus amigos planejaram tanto, que eu ficasse com um deles, que eu não pude deixar de fazer o oposto. Apaixonar-me pelo menos esperado. 

Tudo começou com uma brincadeira, quase uma aposta. Eu vi-o tratar como lixo uma mulher qualquer e o que isso resultou em mim é vergonhoso. Meu sangue ferveu, fazendo-me ruborizar ao perceber minha intenção. A verdade é que eu gostaria muito de vê-lo por baixo, e isso era como um desejo particular de meu par de cromossomos, sempre tão feministas, um x e um y. Apagar de seu rosto o sorriso de macho alfa, fazê-lo rastejar. 

Então decidi conversar, como quem não quer nada com meu amigo sobre esse assunto. Mas quando me ouvi dizer, até mesmo com doçura que não sabia mais se queria ficar com quem ele gostaria, sua resposta foi um tanto chocante. Ele disse que era impossível, que a pessoa com quem eu queria não ficaria comigo de maneira alguma. E isso, ao contrário do que ela tinha intenção, apenas me incentivou. Um desafio duplo. 

Viajamos então, no seguinte final de semana, para uma casa em Búzios. Foi como férias dentro das férias, um paraíso tropical, com um centro cheio de bares e boates. Nós, meninas, chegamos na sexta-feira à tarde e os meninos no sábado de manhã, porém, ele, aquele o qual eu gostaria de encontrar só chegou no sábado a noite, direto na hora da festa. 

Tarde da noite ou cedo da manhã, voltamos para casa e eu convidei a todos para um banho de piscina noturno. Fomos nós dois e o frio nos fez abraçar. O depois foi conseqüência de vontades posteriores. O importante é que em poucos dias já estava apaixonada. 

Hoje, sentada em uma cadeira dura, em um dia cinza de um inverno branco, tudo que eu gostaria de esquecer é o que mais lembro. Todas as suas perguntas, muitas vezes bobas e inseguras, meu recado em seu mural e o seu pedido, gravado em minha mente com caneta azul. Azul como o céu, que ficou acima de mim por tanto tempo, mas teve que partir. Não vou esquecer."

Uma crônica antiga, pra sair um pouco da rotina de poesias curtas!

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